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PRA QUEM AMA E ACREDITA, MURITIBA.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

MINHAS POESIAS

                                                                         
HOJE EU QUERO ANDAR DESCALÇO E SEM CAMISA/ QUERO SENTIR O AR BATENDO EM MEU PEITO/ O ORVALHO EM MINHA CABEÇA/ HOJE NÃO QUERO~PROTEÇÕES NÃO QUERO INDUMENTARIAS/ NADA ARTIFICIAL / HOJE EU QUERO AS PALMAS DOS PÉS NO CHÃO / SER HOMEM NATURAL QUE A SOCIEDADE DESTRUIU / HOJE EU QUERO DORMIR DE REDE OU ESTEIRA / QUERO BEBER ÁGUA NO RIACHO COM AS PALMAS DAS MINHAS MÃOS / TOMAR BANHO DE ÁGUA SEM CLORO LÁ NO CÓRREGO / NO RIBEIRO/ NO REGATO NA CASCATA SIM !!!!! A FONTE DE GÉLIDAS ÁGUAS / DEITAR NO CHÃO ABRIR OS BRAÇOS  INTERAGIR COM A NATUREZA OLHANDO O CÉU DE AZUL ANIL / HOJE SOU HOMEM NATURAL SEM TEME O DIA DE AMANHÃ / SENTIR O DOM DA VIDA E IR DE ENCONTRO AO ENCONTRO COMIGO MESMO / FORA TODO O MATERIALISMO / CONSUMISMO / VIDA ARTIFICIAL / HOJE / HOJE NÃO PENDURO ETIQUETAS/ SOU UM COM A NATUREZA/ SOU HOMEM NATURAL.          (FLÁVIO S. SILVA) 16/04/2006

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

MUSEU VIRTUAL DE MURITIBA

DUAS SITUAÇÕES

Duas Situações Interessantes: Quando o pensamento anda mais rápido que a língua, e quando a língua anda mais rápido que o pensamento! Qual é o pior? O pior é quando o pensamento e a linguagem andam na mesma marcha. Aí começa o tédio!...

Sobre o autor: Jean Baudrillard foi um sociólogo e filósofo francês. Suas teorias, vão contra o discurso da "verdade absoluta" e contribuem para o questionamento da situação de dominação imposta pelos complexos e contemporâneos sistemas de signos. 

o discurso do índio Guaicaipuro Cuatémoc

A VERDADEIRA DÍVIDA EXTERNA
“Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a encontraram só há 500 anos.
O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento, com juros, de uma divida contraída por um Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse.
Outro irmão europeu, um rábula, me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento, também posso reclamar juros.
Consta no Arquivo das Índias. Papel sobre papel, recibo sobre recibo, assinatura sobre assinatura que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América
Terá sido isso um saque?
Não acredito porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao Sétimo Mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas que qualificam o encontro de “destruição da Índias” ou Arturo Uslar Pietri, que afirma que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos retirados das Américas!
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de outros empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Eu, Guaicaipuro Cuatémoc, prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano “Marshal-tezuma”, para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho diário e outras conquistas da civilização.
Por isso, ao celebrarmos o Quinto Centenário desse Empréstimo, poderemos nos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo desses recursos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indo-americano Internacional?
É com pesar que dizemos não.
No aspecto estratégico, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem um outro destino a não ser terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como um Panamá, mas sem o canal.
No aspecto financeiro foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros, quanto se tornarem independentes das rendas liquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar. E nos obriga a reclamar-lhes, para o seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos para cobrar.
Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros que os irmãos europeus cobram aos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos emprestados, acrescidos de um módico juro fixo de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos.
Sobre esta base, e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 180 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total seriam precisos mais de 300 cifras, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata! Quanto pesariam calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para pagar esses módicos juros seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demêncial irracionalidade dos pressupostos do capitalismo.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam aos índo-americanos.
Porém exigimos a assinatura de uma carta de intenções que discipline aos povos devedores do Velho Continentes e que os obrigue a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permita nos entregá-la inteira como primeira prestação da dívida histórica.”

ESQUECE O FUTURO

Esquece o futuro...
Autor: Montaigne
Esquece o futuro. Ele não te pertence. O presente te basta. Mas é preciso ser rápido quando ele é mau presente, e andar devagar quando se trata de saboreá-lo. Expressões como “passar o tempo” espelham bem a maneira de viver dessa gente prudente, que imagina não haver coisa  melhor para fazer da vida. Deixam passar o presente, esquivam-se, ignoram o presente, como se estar vivo fosse coisa desprezível.
A natureza nos deu a vida em condições tão favoráveis, que só mesmo por nossa culpa ela poderá se tornar pesada e inútil.

COMO LAVAR AS PALAVRAS SUJAS

Mergulhar a palavra suja em água sanitária. Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza. Por exemplo, a palavra vida.
Existem outras - e a palavra amor é uma delas - que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente. São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada. Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão. Agora nunca vi palavra tão suja como perda. Perda e morte, na medida em que são alvejadas, soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua. O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar. O perigo neste caso é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo. A culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade. Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.outro cuidado importante é não lavar demais as palavras. Sob o risco de perderem o sentido. A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons. Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa. Conviva com a palavra durante alguns dias. Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo. Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade. Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.

Sobre o Autor: Capixaba, radicada no Rio desde 1992, Viviane Mosé é psicóloga e psicanalista. Especialista em "Elaboração e implementação de políticas públicas" pela Universidade Federal do Espírito Santo e Mestra e Doutora em filosofia.

A VELHA HOLLIWOOD

A velha Hollywood nos ensinou que tudo nos EUA era maior, melhor, mais limpo, justo, ético, honesto, adulto, moderno, eficiente e perfeito do que nos outros países. Também pudera -os americanos eram o povo mais bonito, forte, corajoso, engenhoso e talentoso do mundo. Onde mais as pessoas saíam cantando e dançando pelas ruas com naturalidade e ao som de uma enorme orquestra invisível?

E quem cavalgava melhor e tinha os cavalos mais velozes? O cowboy americano. Não havia índio ou mexicano que o capturasse, exceto à traição, coisa que, aliás, eles viviam fazendo (e de que o cowboy americano era incapaz). O mesmo se aplicava ao soldado americano em relação aos alemães e japoneses -quem era o mais heroico, o mais desprendido, o mais inteligente? E a Marinha americana? Quem tinha porta-aviões mais imponentes? Quem usava camisas de manga curta mais brancas? E quem mais tinha milhares de marinheiros que sabiam sapatear?

Nos filmes, víamos maravilhas que faziam parte do dia a dia dos americanos e de ninguém mais: cerveja em lata, barbeadores elétricos, cortadores de grama, trevos rodoviários (filmados de avião), edifícios de 90 andares e naves que iam à Lua e voltavam. E quem seria mais poderoso que o governo dos EUA, capaz de movimentar estruturas gigantescas para plantar um exército inteiro em território inimigo a 15 mil km e resgatar um espião a minutos de ser descoberto?

Todas essas eram benesses do poder e da riqueza. De repente, fico sabendo que o dinheiro no caixa do Tesouro americano vai acabar na terça-feira e que a Casa Branca, com uma dívida de US$ 14,3 trilhões, ameaça dar o beiço no mundo.

Inacreditável. Como pode o governo americano quebrar? Se acontecer, quem vai pagar a conta da lavanderia que mantinha as camisas tão brancas? 

Sobre o Autor: Rui Castro é Escritor, Biografo e colunista da Band News Fm e da Folha de São Paulo.

NÓS, NÓS NÃO TEMOS HERÓIS:

NÓS, NÓS NÃO TEMOS HERÓIS:
Nós, nós não temos heróis
nem jamais os tivemos.
Afinal, para que servem os heróis e suas estátuas de granito ou de mármore negro, seus cavalos de bronze, suas medalhas barrocas e as espadas que não passam de metáforas?
Para que servem os heróis se o ácido da chuva desdenha da glória dos homens e nem os pássaros se importam com eles?
Para que servem os heróis se nem sabem quem somos nem jamais ouviram falar dos nossos mitos e utopias?
Infeliz do país que necessita de heróis. 

Sobre o autor:
O poeta cearense Francisco Carvalho permanece desconhecido embora tenha publicado quase trinta livros. Em 1982 recebeu o Prêmio Nestlé de Literatura. Em 2004 foi publicada uma antologia do autor com 500 páginas, já esgotada nas livrarias.

TUDO MUDOU

Tudo mudou. Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele. As palavras já não são as mesmas do tempo em que estudávamos gramática com os olhos míopes das professoras. Nádegas e pernas das mestras -- objeto direto do nosso desejo -- ofuscavam o interesse pela didática. Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo. É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide, a fragmentação dos idiomas. Corta-se a palavra em frações microscópicas. A vida, o amor, a morte, a realidade:
tudo agora virou fast food.

Sobre o autor:
Cearense, Francisco Carvalho nasceu em 1927 em São Bernardo das Russas, interior do Ceará. Poeta e ensaísta, é conhecido por seu valor literário e reverenciado pelos mais diversos críticos do país.

O SONHO NÃO PODE DURAR UMA NOITE

Um camarada trabalhava há 30 anos numa fábrica, ele saía da fábrica todo dia para encontrar os amigos, ir ao cinema, encontrar mulheres... Ia pra casa. Fazia isso todo dia.
Há 30 anos...

Um dia ele faz tudo isso, chega em casa, dorme e tem um sonho. Acordou, não ligou e foi trabalhar, fez tudo o que tinha para fazer, voltou, foi pra casa, dormiu e teve o mesmo sonho.

Era uma nebulosa que estava se transformando num coração e ele queria ver até onde ia esse coração...

A formação de um peito juvenil... Ele acordou. Foi trabalhar. Já não conversou tanto com as pessoas quando saiu do emprego pra ir pra casa. Dormiu e sonhou o mesmo sonho.

Então aparece o peito de um rapaz, a perna de um rapaz o braço de um rapaz... Ele acordou. Foi trabalhar... Saiu correndo do emprego pra chegar em casa e dormir... O sonho continuava, tinha o sexo de um rapaz, a cara de um rapaz.. Ele acordou.

Foi trabalhar, pediu pra sair mais cedo, era um grande funcionário, permitiram, foi correndo pra casa... ai o garoto falou e ele acordou.

Foi trabalhar e pediu pra trabalhar só de manha. Começou a conversar com o rapaz... Então pediu demissão da fábrica pra só dormir e sonhar.. E ficou mostrando as ruas e as mulheres... pro rapaz... Até que um dia o rapaz falou assim:

- "Eu tenho uma namorada, você sabe, eu fui a casa dos pais dela me aceitaram como noivo dela e querem que eu case com ela, mas eles querem conhecer minha família...você pode me dizer quem é a minha família?".

No sonho ele disse:

- Pra dizer quem é a sua família eu vou ter que acordar e procurar saber qual é a minha...

Acordou e começou a procurar... Foi ai que ele percebeu que ele próprio também era o sonho de um outro."

Sobre o autor: 

Jorge Luis Borges, escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino, mundialmente conhecido por seus contos e histórias curtas. Nas suas narrativas figuram os "delírios do racional", abordando temática como filosofia, metafísica, teologia e mitologia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A CULTURA SE FOI E AS GERAÇÕES SE PERDERAM....

Me pergunto em qual fio de meada se perdemos, qual o momento na nossa historia Politica em que nos castramos, cultura,esporte ......

terça-feira, 27 de maio de 2014

"Look Up" texto completo

"Look Up" texto completo vídeo

E se ele apenas recebeu um telefonema de sua mãe?



"Look Up", de Gary Turk

Eu tenho 422 amigos, mas eu sou solitário.
Eu falo a todos eles todos os dias, mas nenhum deles realmente me conhece.
O problema que tenho fica nos espaços entre
Olhando em seus olhos, ou em um nome em uma tela.

Eu dei um passo para trás e abri os olhos,
Olhei em volta e percebi,
Que essa mídia que chamamos de social é qualquer coisa, mas
Quando abrimos os nossos computadores e é nossas portas que fechamos

Toda essa tecnologia que nós temos, é só uma ilusão
Companheirismo comunitário, um sentimento de inclusão
Mas quando você afastar-se este dispositivo de ilusão
Você desperta para ver um mundo de confusão.

Um mundo onde nós somos escravos para a tecnologia que domina
Quando a informação é vendido por alguns rico bastardo ganancioso
Um mundo de auto-imagem auto-interesse e auto-promoção
Onde todos nós compartilhamos nossas melhores partes, mas deixar de fora a emoção.

Nós estamos no nosso mais feliz com uma experiência que compartilhamos,
Mas é o mesmo, se ninguém está lá?
Seja lá para os seus amigos e eles vão estar lá também,
Mas ninguém será se uma mensagem de grupo vai fazer.

Editamos e exagerar, anseiam adulação
Fingimos não perceber o isolamento social
Colocamos nossas palavras em ordem e tingir nossas vidas um reluzente
Nem sequer sei se alguém está escutando

Estar sozinho não é um problema, deixe-me enfatizar
Se você ler um livro, pintar um quadro, ou fazer algum exercício
Você está sendo produtivo e presente, não reservados e recluso
Você está sendo acordado e atento e colocar o seu tempo para uma boa utilização

Então, quando você estiver em público, e você começa a sentir-se sozinho
Coloque as mãos atrás da cabeça, passo longe do telefone
Você não precisa de olhar para o menu, ou na sua lista de contatos
Basta falar com o outro, aprender a coexistir.

Eu não suporto ouvir o silêncio de um trem ocupado
Quando ninguém quer é falar para o medo de parecer louco.
Estamos nos tornando anti-sociais, já não satisfaz
Para se envolver com o outro, e olhar nos olhos de alguém.

Estamos cercados por crianças, que desde que nasceram,
Já assistiu-nos a viver como robôs, que agora acho que é a norma.
Não é muito provável que você vai fazer o grande pai do mundo,
Se você não pode entreter uma criança sem o uso de um iPad

Quando eu era criança, eu nunca estaria em casa
Esteja para fora com meus amigos, em nossas bicicletas nós vaguear
Eu usaria buracos em meus treinadores, e pastar até meus joelhos
Nós construímos o nosso próprio clube, no alto das árvores

Agora o parque tão quieto, dá-me um arrepio
Ver sem filhos fora e as oscilações ainda pendurados.
Não há pular, não amarelinha, nenhuma igreja e nenhum campanário
Nós somos uma geração de idiotas, telefones inteligentes e pessoas burras.

Então, olhar para cima a partir do telefone, desligue o visor
Leve em seu entorno, fazer o máximo de hoje
Apenas uma conexão real é tudo o que pode levar
Para mostrar a diferença que estar lá pode fazer.

Seja lá no momento, que ela lhe dá a aparência
Que você lembre-se sempre como quando o amor ultrapassou
O tempo que ela realizado pela primeira vez sua mão, ou primeiro beijei seus lábios
O tempo que você discordou primeiro, mas você ainda amá-la em pedaços

O tempo que você não tem que dizer a centenas de o que você acabou de fazer
Porque você quer compartilhar esse momento com apenas um presente
O tempo que você vender seu computador, assim você pode comprar um anel
Para a garota dos seus sonhos, que agora é a coisa real.

O tempo que você quer começar uma família, eo momento em que
Você segura primeiro a sua menina, e começa a se apaixonar novamente.
O tempo que ela te mantém acordado à noite, e tudo que você quer é descansar
E o tempo que você enxugar as lágrimas quando o bebê foge do ninho.

O tempo seu bebé retorna, com um menino para você segurar
E o tempo que ele te chama granddad e faz você se sentir muito velho.

O tempo que você tomou tudo que você fez, apenas dando atenção a vida.
E como você está feliz que você não desperdiçá-la, olhando para baixo em algum invenção.

O tempo que você segurar a mão de sua esposa, sente-se ao lado de sua cama,
Diga a ela que você a ama e colocar um beijo na cabeça.
Ela então sussurra para você em silêncio, enquanto seu coração dá uma batida final
Que ela tem sorte ela ficou parado por esse menino perdido na rua.

Mas nenhuma dessas vezes já aconteceu, você nunca teve nada disso.
Quando você está ocupado demais olhando para baixo, você não vê as chances de você perder.

Então, olhar para cima a partir do telefone, desligue esses monitores
Temos uma existência ato final, um determinado número de dias
Não desperdice sua vida ser apanhado na rede,
Como quando chegar o fim nada é pior do que se arrepender.

Eu sou culpado também de ser parte da máquina,
Este mundo digital, que são ouvidas, mas não se vêem.
Onde nós digitamos como falamos, e lemos como nós conversamos
Onde passamos horas juntos, sem fazer contato visual

Portanto, não dá para uma vida onde você seguir o hype
Dê às pessoas o seu amor, não dar-lhes o seu "como"
Desconecte-se da necessidade de ser ouvida e definido
Ir para o mundo, deixe distrações para trás.

Olhe para cima a partir de seu telefone. Desligue esse display. Pare de assistir a este vídeo. Viver a vida do jeito real.

ASSIM NASCEU MINHA POESIA

                                                                           
TODOS TEMOS DIANTE DE NÓS UMA FOLHA CASTA DE PAPEL EM ANSIOSA ESPERA DESVIRGINAL, NESSE MOMENTO É GRANDE A MINHA OUSADIA DE SER OUVIDO ATRAVÉS DE SUA PRÓPRIA  VOZ NO RECÔNDITO DO SEU CONSCIENTE,  PERDOE-ME PELO AGRAVO DE TAMANHO DESVARIO , MAS ESPERO NO FINAL DESSAS LINHAS 
CUMPRIR MEU DESEJO DE ENCONTRAR O ECO... 
A VERDADE É QUE SEI QUE COMO EU, MUITOS VIVERAM  UMA VIDA, MUITAS VIDAS,
ASSUMIMOS UM PAPEL E TENTÁVAMOS ACERTAR , ATÉ MUDARMOS PARA OUTRA TENTATIVA OUTRA ESTRATÉGIA... COMO OS PIXEL QUE COMPÕE UMA FOTO DIGITAL ASSIM É NOSSA VIDA ...AS NOSSAS EXPERIÊNCIAS É QUE DEFINE O QUE SOMOS E PARA ONDE ESTAMOS CAMINHANDO ....MAS EU ACREDITEI EM TANTAS COISAS E FOI PRECISO ME REINVENTAR A CADA MOMENTO A CADA CICLO NECESSÁRIO, COMO UM CAMALEÃO PROCURAVA MINHA PRÓPRIA IMAGEM, E DEPOIS DE TANTAS ENCRUZILHADAS E TANTAS SETA APONTADAS QUE TENTAVA MOSTRAR-ME A DIREÇÃO, E QUASE TODAS CREIA ME LEVAVA AO ABISMO DAS REGIÕES MAS ABISSAIS DENTRO DE MIM... COMO AUTO-DIDATA TENTEI ENCONTRAR O MEU CAMINHO, QUE ME DEFINISSE E DESSE SENTIDO A MINHA EXISTÊNCIA, FOI AI QUE ENTÃO MERGULHEI VERTIGINOSAMENTE AO MEU ABISMO CHAMADO EU... ESSE FOI O MEU PERÍODO DOS 15 AOS 28 ANOS,  NESSA FASE DOS 28 ANOS TIVE A CLARIVIDÊNCIA DE REGISTRAR UMA CENTELHA DE LUZ EXTRAÍDA DESSE PERÍODO , FOI A POESIA 
                                                                     NOBRE DESEJO  

EU QUERO VOLTAR AQUELE TEMPO/QUANDO EU NÃO SABIA QUE ERA GENTE/ERA PURA INOCÊNCIA / UMA SUBSTANCIA INFORME ENVOLVIDA NO LIQUIDO AMNIÓTICO NO ÚTERO DA MINHA MÃE QUE VIROU EMBRIÃO/TENHO SAUDADES DAQUELE TEMPO/QUANDO EU NÃO ERA MAS JÁ EXISTIA/NÃO TINHA TRISTEZA OU ALEGRIA/SENTIMENTO OU EMOÇÃO/ERA TUDO NASCITURA/TENHO SAUDADES DE TUDO O QUE EU NÃO SABIA/QUANDO MINHA MENTE ERA VAZIA/SEM NENHUMA IDEOLOGIA/ E eu  PODIA SER EU.                                     MURITIBA 09/10/2006 

ESSA PALAVRAS QUE FLUÍRAM DO MEU SER, EU CONFESSO FOI UM GRITO DE INDEPENDÊNCIA QUE RASGOU A MINHA ALMA E TIROU-ME DAS TREVAS CAUDALOSAS QUE ME ENCONTRAVA, QUANDO RETIREI A PONTA DE TUNGSTÊNIO DA CANETA NA CASTA FOLHA DE PAPEL E LÍ, MARAVILHEI-ME QUE ESSA PEROLA SANGROU DE DENTRO DE MIM, SABIA QUE JAMAIS SERIA O MESMO E QUE NASCIA PARA AQUILO QUE EU NASCI. E SERIA CONTUNDENTEMENTE EU , EU PRÓPRIO  E PURO.

TERMINO O QUE EU PODERIA CHAMAR DE PRÓLOGO O QUE AQUI ESCREVO , COM MAS UMA POESIA DA MESMA ÉPOCA  QUE TEM COMO TITULO: 
                                           ILUSÃO E QUALQUER COISA A MAIS.
 "  ESTÃO DESFEITAS  TODAS... SIM TODAS ESTÃO DESFEITAS...
ESTÃO DESFEITAS TODAS AS MINHAS ILUSÕES  DE ADULTO  SONHADOR / VIVI INTENSAMENTE MEU UNIVERSO INTERNO/ MEU MUNDO IMAGINÁRIO/ MEU REINO ENCANTADO DE QUIMERA/ MINHA UTOPIA FALIDA... /ESTÃO DESFEITAS MINHAS ILUSÕES DE ADULTO SONHADOR/ AS QUE MIM DERAM AS QUE ME FIZERAM ACREDITAR/ AS QUE CRIEI/  NÃO CULPO NINGUÉM PELA MINHA INGENUIDADE /MINHAS ILUSÕES QUAL NEVOA FORAM DISSIPADAS PELO LIBERTADOR IMPASSIVO CHAMADO TEMPO/ SINTO APENAS MINHA ALMA MAS LEVE/ HÁ UM NOVO BRILHO UM AROMA SUAVE ADOCICADO E  ETÉREO / LANCEI MEUS SONHOS AOS SEUS PÉS....LANCEI MEUS OLHOS EM SUAS MÃOS... MAS ESTÃO DESFEITAS TODAS AS MINHAS ILUSÕES DE ADULTO SONHADOR.                MURITIBA -BA
                                                                                                  (  FLÁVIO S. SILVA ) 

sábado, 3 de maio de 2014

CECÍLIA MEIRELES

CECÍLIA MEIRELES (1901-1964)

Poetisa, professora, pedagoga e jornalista, cuja poesia lírica e altamente personalista, freqüentemente simples na forma mas contendo imagens e simbolismos complexos, deu a ela importante posição na literatura brasileira do século XX. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 07/11/1901 e veio a falecer na mesma cidade em 09/11/64. Casou-se duas vezes e deixou três filhas. Embora vivendo sob ifluência do Modernismo, apresenta ainda em sua obra heranças do simbolismo e técnicas do classicismo, gongorismo, romantismo, parnasianismo, realismo e surrealismo, razão pela aual sua poesia é considerada intemporal. Órfã desde tenra idade (aos 3 anos já perdera os pais e três irmãos que nem chegou a conhecer), foi criada pela avó Jacinta Garcia Benevides. Desde cedo habituou-se ao exercício da solidão, tendo precocemente desenvolvido sua consciência e sensibilidade. Começou a escrever poesia aos 9 anos de iddade. Tornou-se professora pública aos 16, destacando-se como aluna exemplar, merecendo a estima dos mestres. Dois anos depois iniciou sua carreira literária com a publicação de Espectros (1919), uma coleção de sonetos simbolistas. A década de 20 foi uma época de revolução na literatura braisleira, mas o trabalho de Cecília naquele período mostra pouca afinidade com as tendências nacionalistas então em voga, ou com o verso livre e a linguagem coloquial. Boa parte dos críticos, inclusive, consideram suas formas mais tradicionais de poema (como sonetos) o ponto mais alto de sua obra. Com Nunca mais . . . e Poema dos Poemas (1923) adere ao Modernismo. Em 1924, sai Criança meu amor e em 1925 Baladas para El-Rei. Entre 1925 e 1939 dedicou-se à sua carreira docente publicando vários livros infantis e fundando, em 1934 a Biblioteca Infantil do Rio de Janeiro (a primeira biblioteca infantil do país). A partir deste ano ensinou literatura brasileira em Portugal (Lisboa e Coimbra) e em 1936 foi nomeada para a UFRJ, recém-fundada. Cecília reaparece no cenário poético após 14 anos de silêncio comViagem (1939), considerado um marco de maturidade e individualidade na sua obra: recebeu o prêmio de poesia daquele ano da Academia Brasileira de Letras. Daí em diante dedicou-se à carreira literária, publicando regularmente até a sua morte. Vários de seus livros são inspirados nas muitas viagens que fez, viagens estas de grande significação, pois a autora extraiu do contato com gente, costumes e idiomas diferentes matéria de melhor compreensão da vida e da humanidade. Entre os vários livros de poesia publicados após 1939 tem-se: Vaga Música (1942), Mar Absoluto e Outros Poemas (1945), Retrato Natural (1949), Romanceiro da Inconfidência (1953), Metal Rosicler(1960), Poemas Escritos na Índia (1962), Solombra (1963) e Ou Isto ou Aquilo (temática infantil, 1964). Escreveu também em prosa, dedicando-se a assuntos pedagógicos e folclóricos. Produziu também prosa lírica, com temas versando sobre sua infância, suas viagens e crônicas circunstanciais. Algumas de suas obras em prosa: Giroflê giroflá (1956), Escolha seu Sonho (1964) eInéditos (crônicas - 1968).

MILLÔR FERNANDES

MILLÔR FERNANDES (1924-2012)

Filho do engenheiro espanhol Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr nasceu no do Méier em 16 de agosto de 1923, mas só foi registrado – como Milton Viola Fernandes – no ano seguinte, em 27 de maio de 1924. De Milton se tornou Millôr graças à caligrafia duvidosa na certidão de nascimento, cujo traço não completou o "t" e deixou o "n" incompleto. Aos dois anos perde o pai, e sua mãe passa a trabalhar como costureira para sustentar os quatro filhos. De 1931 a 1935 estudou na Escola Ennes de Souza. Nesse meio tempo se torna leitor voraz de histórias em quadrinhos, especialmente Flash Gordon. A forte influência, e o estímulo de seu tio Antônio Viola, o leva a submeter um desenho ao períodico carioca O Jornal que, aceito e publicado, lhe rende um pagamento de 10 mil réis. Aos doze anos perde a mãe, passando a morar com o tio materno Francisco, sua esposa Maria e quatro filhos no subúrbio de Terra Nova, próximo ao Méier. Dois anos depois, em 1938, passa a trabalhar para o médico Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto, entregando seu remédio para os rins "Urokava" em farmácias. Pouco depois é empregado pela revista O Cruzeiro, assumindo as funções de contínuo, repaginador e factótum. No mesmo época, assinando sob o pseudônimo "Notlim", ganha um concurso de contos na revista A Cigarra. É promovido a arquivista da publicação, e com o cancelamento de quatro páginas de publicidade desta, é convidado a preencher o espaço vago. Cria então a seção "Poste Escrito", que assina como "Vão Gogo". O sucesso de sua coluna em A Cigarra faz com que ela passe a ser fixa, e Millôr assume a direção do periódico, cargo que ocuparia por três anos. Ainda sob o pseudônimo Vão Gogo, começa a escrever uma coluna no Diário da Noite. Passa a dirigir também as revistas O Guri, com histórias em quadrinhos, eDetetive, que publicava contos policiais. Em 1941 voltou a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como "Vão Gogo" na coluna "Pif-Paf", o fazendo por 18 anos. A partir daí passou a conciliar as profissões de escritor, tradutor (autodidata) e autor de teatro. Já em 1956 dividiu a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Airescom o desenhista norte-americano Saul Steinberg. Em 1957, ganhou uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Dispensou o pseudônimo "Vão Gogo" em 1962, passando a assinar "Millôr" em seus textos n'O Cruzeiro. Deixou a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica. Em 1964 passou a colaborar com o jornal português Diário Popular e obteve o segundo prêmio do Salão Canadense de Humor. Em 1968 começou a trabalhar na revistaVeja, e em 1969 tornou-se um dos fundadores do jornal O Pasquim. Nos anos seguintes escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams. Depois de colaborar com osprincipais jornais brasileiros, retornou à Veja em setembro de 2004, deixando a revista em 2009 devido a um desentendimento acerca da digitalização de seus antigos textos, publicados sem autorização no acervo on-line da publicação. No princípio de fevereiro de 2011, Millôr sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico. Permaneceu em torno de duas semanas inconsciente na UTI, e após cinco meses de internação em uma clínica no Rio de Janeiro, recebe alta no dia 28 de junho. Dois dias depois volta a passar mal, passando outros cinco meses internado. Após o segundo internamento a família de Millôr manteve em privado os detalhes a respeito de sua saúde, até que em 28 de março de 2012 (hoje) é divulgado à imprensa que o escritor morrera no dia anterior, em decorrência de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca.

CASIMIRO DE ABREU (1839-1860)



CASIMIRO DE ABREU (1839-1860)

Foi filho de José Campos comerciante e fazendeiro português José Joaquim Marques de Abreu e de Luísa Joaquina das Neves,foi seu vizinho uma fazendeira de Silva Jardim (na época, Capivary), viúva do primeiro casamento. Com José Joaquim ela teve três filhos, embora nunca tenham sido oficialmente casados. Casimiro nasceu na Fazenda da Prata, em Casimiro de Abreu, propriedade herdada por sua mãe em decorrência da morte do seu primeiro marido, de quem não teve filhos. A localidade onde viveu parte de sua vida, Barra de São João, é hoje distrito do município que leva seu nome, e também chamada "Casimiro de Abreu", em sua homenagem. Recebeu apenas a instrução primária no Instituto Freeze, dos onze aos treze anos, em Nova Friburgo, então cidade de maior porte da região serrana do estado do Rio de Janeiro, e para onde convergiam, à época, os adolescentes induzidos pelos pais a se aplicarem aos estudos. Aos treze anos transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar com o pai no comércio. Com ele, embarcou para Portugal em 1853, onde entrou em contato com o meio intelectual e escreveu a maior parte de sua obra. O seu sentimento nativista e as saudades da família escreve: "estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria". Em Lisboa, foi representado seu drama Camões e o Jau em 1856, que foi publicado logo depois. Seus versos mais famosos do poema Meus oito anos: Oh! Que saudades que tenho/da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores,/naquelas tardes fagueiras,/ à sombra das bananeiras,/ debaixo dos laranjais! Em 1857 retornou ao Brasil para trabalhar no armazém de seu pai. Isso, no entanto, não o afastou da vida boêmia. Escreveu para alguns jornais e fez amizade com Machado de Assis. Escolhido para a recém fundada Academia Brasileira de Letras, tornou-se patrono da cadeira número seis. Tuberculoso, retirou-se para a fazenda de seu pai, Indaiaçu, hoje sede do município que recebeu o nome do poeta, onde inutilmente buscou uma recuperação do estado de saúde, vindo ali a falecer. Foi sepultado conforme seu desejo em Barra de São João, estando sua lápide no cemitério da secular Capela de São João Batista, junto ao túmulo de seu pai. Em 1859 editou as suas poesias reunidas sob o título de Primaveras. Espontâneo e ingênuo, de linguagem simples, tornou-se um dos poetas mais populares do Romantismo no Brasil. Seu sucesso literário, no entanto, deu-se somente depois de sua morte, com numerosas edições de seus poemas, tanto no Brasil, quanto em Portugal. Deixou uma obra cujos temas abordavam a casa paterna, a saudade da terra natal, e o amor (mas este tratado sem a complexidade e a profundidade tão caras a outros poetas românticos). A despeito da popularidade alcançada pelos livros do poeta, sua mãe, e herdeira necessária, morreu em 1859 na mais absoluta pobreza, não tendo recebido nada em termos de direitos autorais, fossem do Brasil, fossem de Portugal

POETAS DO BRASIL

ILDÁSIO TAVARES (1940-2010)

Ildásio Marques Tavares é poeta, ficcionista, dramaturgo e jornalista. Segundo nota de Assis Brasil, em A poesia baiana do século XX, pertence à geração Revista da Bahia, juntamente com Cyro de Mattos, Fernando Batinga de Mendonça, Marcos Santarrita, Alberto Silva. Estes, e mais José Carlos Capinam, Ruy Espinheira Filho, Adelmo Oliveira, José de Oliveira Falcón, Carlos Falck, Maria da Conceição Paranhos entre outros "formam um panorama fecundo e variado" a partir da década de 60. Possui vários livros publicados, comoImagoDitadoO canto do homem cotidianoTapete do tempoPoemas seletosLivro de salmosIX Sonetos da InconfidênciaLídia de OxumO amor é um pássaro selvagemO domador de mulheresA arte de traduzir... entre outros. É ganhador, entre tantos prêmios, do Leonard Ross Klein, de tradução; do Afrânio Peixoto, de ensaio; do Fernando Chinaglia, de poesia; e do prêmio nacional do centenário de Jorge de Lima. É bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade Federal da Bahia; mestre pela Southem Illinois University; doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; pós-doutor pela Universidade de Lisboa. Seu trabalho como jornalista compreende participação em vários periódicos, entre os quais, Diário de Notícias,Jornal da CidadeA Tarde e Tribuna da Bahia. Membro praticante do candomblé, foi consagrado Ogan Omi L’arê, na casa de Oxum, e Obá Arê, na casa de Xangô e no Axé Opô Afonjá. Desde 1989 é cidadão da cidade de Salvador. Tendo seu nome ligado ao teatro, à música e à ficção, ligou-o também à poesia e à história ao publicar, em edição limitada a dez exemplares, seus NOVE SONETOS DA INCONFIDÊNCIA. Quem já visitou os verbetes de Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa perceberá como Ildásio se vale da familiaridade com a dramaturgia para construir os papéis dos principais personagens da conjuração, dando-lhes caricata caracterização sob a forma de monólogos sonetados, empreitada da qual se desincumbe com brilho, bravos e pedidos de bis.


EMÍLIO MOURA (1902-1971)

Emílio Guimarães Moura  um dos maiores e mais esquecidos poetas de nosso modernimo. Integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de MinasEstado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universitário, e um dos fundadores da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais FACE-UFMG, em 1945, onde lecionou e da qual foi o primeiro diretor. Emílio Moura fez parte do brilhante grupo de intelectuais formado por poetas, escritores e políticos mineiros, como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Martins de Almeida, João Alphonsus, Cyro dos Anjos, Aníbal Machado, Abgar Renaut, Milton Campos e Gustavo Capanema, entre outros, que nos anos de 1920 influenciou notavelmente o movimento que mudou os rumos da literatura brasileira, o Modernismo. Diferentemente da maioria dos amigos, que se mudaram para a capital, Rio de Janeiro, Moura permaneceu em Belo Horizonte, onde passou toda sua vida. Em 1924, integrou, com Carlos Drummond, Gregoriano Canedo e Martins de Almeida, o grupo que editava a Revista, publicação literária modernista. A amizade com Drummond perdurou até a morte de Emílio Moura. Drummond despediu-se dele escrevendo: "Corredor ou caverna ou túnel ou presídio, não importa. Uma luz violeta vai seguir-me: a saudade de Emílio Moura".


quinta-feira, 10 de abril de 2014

HOMENAGEM 100 ANOS DE JORGE AMADO

Casa de Cultura Jorge Amado

MUSEU VIRTUAL DE MURITIBA. 

Através de sua obra conhecida no mundo inteiro, o escritor Jorge Amado divulgou e imortalizou as belezas e as histórias de Ilhéus. Para agradecer ao “filho adotivo” (Amado nasceu na vizinha Itabuna), a cidade prestou-lhe uma homenagem à altura de seu talento, transformando sua antiga residência na Casa de Cultura Jorge Amado. Construído pelo pai do escritor em 1928, o palacete em estilo neoclássico ocupa uma área de 600 metros quadrados, com cinco metros de pé direito, piso de jacarandá e azulejos ingleses na varanda. Inaugurada em 1988, a Casa de Cultura abriga em seus grandes salões a Fundação Cultural, a Academia de Letras e o Instituto Histórico de Ilhéus. As visitas guiadas conduzem ao quarto do escritor, onde estão expostas as capas de edições de sua obra, fotos antigas e objetos pessoais.


                                                       CAETANO SAMANGO E JORGE
                                        JORGE, GONZAGA,JOBIM, CAETANO E CHICO





JORGE CARIBÉ E CAYMMI


Gilberto Freyre, Anísio Teixeira e Jorge Amado (1961)


                                                    OLHA A JACA DE ILHÉUS
                                Quantas pessoas especiais já visitaram a Casa do Rio Vermelho? 
                                           Nesta foto, no banco de azulejos, sob a mangueira estão Jorge,
                                            Zelia Di Cavalcanti e Vinicius.
                                                            Acervo: Zélia Gattai
                                      Acervo: Zélia Gattai.

Crônica de domingo, 9 de março de 2014: Viagem a Paulo Afonso
Centenário de Caymmi, crônica III
Fizemos uma viagem adorável com Caymmi pelo São Francisco. Foi em 1967, quando o editor Alfred Knopf veio ao Brasil em lua de mel. No roteiro do casal, uns dias na Bahia para apresentar a cidade a Helen, buscar Jorge e Caymmi, velhos amigos, para juntos conhecerem a Cachoeira de Paulo Afonso.
-- Norminha, tem lugar no carro, vai ser uma delícia. Vão Caymmi e Paloma também.
Era mamãe convidando Norma Sampaio para integrar a caravana. Baiano adora andar em grupo, já dizia Calasans Neto!
Antes da partida, um almoço reuniu meia Salvador para festejar o editor americano que já passeara e fotografara a cidade toda. Vendo as fotos tiradas por mamãe que ilustram esta crônica, me dou conta do quanto a Bahia mudou nestes quarenta e seis anos... Quarenta e seis!, afemaria! Como o Pelourinho estava destruído... Aquele casarão caindo aos pedaços é a atual Fundação Casa de Jorge Amado, quem diria?
Rumamos para a cidade de Delmiro Gouveia, nas Alagoas, de carro -- uma veraneio em que cabia nós cinco e mais o motorista com folga. Os Knopf foram de avião comercial até Recife e de lá, de teco-teco, seguiram para nos encontrar no Sertão.
-- Caymmi, nosso Knopf é um louco em se meter em tanto aviãozinho! Podendo ir confortavelmente de carro... Disse que está muito velho para longos caminhos em estrada brasileira..., dizia papai, que tinha medo pânico de avião, e gostava de provocar mamãe, que nasceu para voar.
-- Confortavelmente? E esse calor medonho? Isso que nós ainda não saímos da estrada de asfalto para a de terra..., ela se metia na conversa, pegando corda.
Ao passar pela entrada de Santo Amaro, uma placa na beira da estrada anunciava caldo de cana. Caymmi se animou.
-- O calor está grande mesmo, um caldinho de cana ia bem...
Não houve tempo de parar e não pareceu mais caldo de cana nem na ida e nem na volta. "E o meu caldo de cana?", repetido muitas vezes durante a viagem, virou código nosso ao longo da vida.
Em tempos de carro sem ar condicionado, calor com poeira rimam com janela aberta e Caymmi louro! Ele fazia uns olhares divertidos e dizia:
-- Estou loirinho! Haja poeira!, e ria.
Os dias de Paulo Afonso foram maravilhosos, muitas coisas novas para todos, emoções inacreditáveis, como o vôo de teco-teco que fizemos, Knopf e eu (os demais declinaram do convite, mesmo dona Zélia, a destemida amiga das alturas). Disseram ao piloto que o americano queria ver a Cachoeira de pertinho e o rapaz levou ao pé da letra. A cada razante tínhamos a sensação de que a água ia pegar a asa do avião e nos levar Paulo Afonso abaixo. Enquanto eu morria de rir, pois com quinze anos a gente é inteiramente inconsequente, o pobre do velhinho ficava verde e parecia morrer de fato. Salvamo-nos todos a tempo de ver uma cerimônia religiosa da população local, creio que um sincretismo de pajelança e macumba, onde as pessoas se flagelavam com urtigas, coisa esquisita, ruim de se olhar. Felizmente foi rápido, a função terminou e o "pajé" foi se chegando aos homens:
-- Messê quequê fudelequê?
Perguntou para Knopf, que não entendeu nada. Depois foi para Caymmi.
-- Messê quequê fudelequê?
Então Caymmi se virou para papai, e com cara divertida disse:
-- Compadre, esse cara é pajé de araque. O que ele é mesmo é cafetão e tá querendo arranjar mulher pra gente. Vamos dando o fora antes que a comadre Zélia perca a paciência. Não é mesmo, comadre?
Nos despedimos do casal Knopf em Paulo Afonso, voltavam para New York via Rio. Na estrada de volta para casa, entre um pedido e outro de caldo de cana, o loiro Caymmi, comentava:
-- E seu Quequê, heim?
Bom domingo a todos. O meu será ótimo, festejando os 10 anos de meu neto Nicolau. Viva ele!
Crônica de domingo, 23 de fevereiro de 2013: Caymmi e o rádio russo
Centenário de Caymmi, crônica II
Salvador era bem diferente naqueles anos 60 de minha adolescência. A Avenida Manoel Dias, hoje via de trânsito intenso, cheia de bancos e lojas, era rua aprazível, de piso de terra, cheia de casas de veraneio e prédios pequenos de três andares. Num desses, bem no comecinho da Pituba, quase fronteira com Amaralina, moraram por uns tempos Stella e Caymmi. Já não lembro se vieram para passar o ano, se decidiram mudar de vez, ou se apenas veranearam. O certo é que para nós foi um grande acontecimento, era um ir e vir intenso entre a rua Alagoinhas e a avenida Manuel Dias.
Caymmi se queixou da falta de um aparelho de som, quer dizer de uma electrola (pronuncia-se é-lé-qui-tro-la, em bom baianês), ou pelo menos um rádio. Papai, comandante primeiro e único da vida dos amigos e parentes, resolveu imediatamente a questão:
-- Paloma, minha filha, empresta para seu tio o rádio russo.
Antes de continuar, preciso explicar como surgiu este aparelho em minha vida. Toda a vez que meus pais íam à Rússia, encontravam lá os rublos relativos aos direitos autorais, que não eram conversíveis em outra moeda, devendo ser gastos ali mesmo. Escritor de muito público em toda a União Soviética, há muito não ía a Moscou. Quando ali aterrissou em companhia de mamãe e Norma Sampaio -- mãe de Maria, minha amiga querida, de quem falo tanto --, encontrou um dinheirão à sua espera. Tratou de gastá-lo comprando presentes para deusetodomundo. Esse era o jeito dele, presenteador por natureza. Não teve quem não ganhasse regalo de sustância no final desta viagem. Até dona Célia, mulher de seu Zuca, o nosso jardineiro, colocou no pulso delicado relógio russo. A mim, além de um relógio, coube um rádio, que, segundo papai, era espetacular. Talvez ele se comportasse bem no frio do Norte, na Sibéria... mas aqui nos trópicos perdeu a voz, danou a engasgar, uma estática absurda, não importava se em ondas médias, longas ou curtas. Eu reclamei, mas não houve jeito, o bicho teimava em ser péssimo.
Voltando ao início da história, papai sugeriu... Não, não sugeriu, mandou! E eu emprestei o rádio, dizendo a Caymmi que era excelente, tinha um som límpido e claro, tocava Tchaikovisky, Prokofiev e até Stravinsky, já que era russo. Ele ia se divertir muito. Na verdade nos divertimos todos, pois ao ouvir o esporro medonho que o rádio fez ao ser ligado, Caymmi caiu na gargalhada e começou toda uma história comigo que durou por toda a vida.
-- Que maravilha de som!, ele dizia se fingindo de sério. É o melhor mimo que já ganhei em minha vida!
-- E quem te disse que eu estou dando? Só estou emprestando. E é empréstimo a prazo curto, nada de levar para o Rio com você...
O rádio foi para o Rio com o casal Caymmi, é claro! Quando nos encontrávamos, eu o pedia de volta, ele retrucava que era dele. Chegou a me telefonar do Rio para a Bahia somente para dizer que o rádio tinha melhorado muito, já quase dava para se ouvir alguma coisa.
A última vez que vi Stella e Caymmi, papai já tinha morrido. Fui com mamãe visitá-los no apartamento em Copacabana. Falando pouco, olhar um tanto perdido, como ficara o de papai no fim de sua vida, ainda assim estava alegre, pediu prenda a mamãe. De repente me olhou, riu, e disse:
-- E o rádio russo, Papá?